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No final de 2010, no site da revista americana Quality Progress foi realizada uma pesquisa na qual se inqueria os leitores sobre o seguinte tema: quais conhecimentos básicos importantes geralmente faltam aos novos profissionais da qualidade? Estatística apareceu em primeiro lugar, com 26,4% como o conhecimento importante em que os profissionais da qualidade mais apresentam deficiências. Em segundo lugar, com 25,6%, ficaram ferramentas e métodos, muitos dos quais utilizam-se de fundamentos de estatística.
De fato, percebe-se uma dissociação entre o conteúdo das disciplinas de estatísticas nos cursos de tecnologia e as aplicações da indústria. Enquanto em sala de aula, o futuro profissional não consegue visualizar para que servem todas aquelas fórmulas de desvio-padrão e coeficiente de correlação e não imagina uma aplicação prática para a distribuição de Poison. E quando na indústria se depara com algumas situações reais, não sabe qual ferramenta ou como usar para resolver o seu problema.
Contudo, estatística tem inúmeras aplicações, seja no setor industrial, na gestão da qualidade e segurança e mesmo nas áreas administrativa e comercial. Aliás, em algumas situações, recorrer à estatística é a única forma economicamente viável de estudar um processo e encontrar uma solução, haja vista que a mesma trabalha com amostras relativamente pequenas para tirar conclusões sobre um lote ou população.
A título de exemplo, podemos mencionar quatro ferramentas ou metodologias estatísticas que tem ampla aplicação na área da qualidade. Uma delas é o teste de hipóteses, na qual duas hipóteses ou duas situações são comparadas. Por exemplo, pode-se recorrer ao teste de hipóteses para determinar se dois equipamentos tem igual desempenho ou se duas diferentes formulações para bolo, apresentam o mesmo rendimento.
A análise de regressão é útil para estudar a relação de causa e efeito entre um resultado e uma ou mais possíveis causas. Por exemplo, quanto dos defeitos de textura apresentado por um presunto pode ser explicado por variações na temperatura e no tempo utilizado no cozimento. A partir desse estudo é possível determinar uma equação para a incidência de defeitos em função do tempo e temperatura, com um coeficiente de correlação entre os resultados e esses parâmetros.
Uma terceira aplicação é o controle estatístico de processo, que serve para indicar quando um processo estável fica fora de controle devido a causas especiais. É bastante útil para evitar intervenções desnecessárias ao processo, uma vez que a variação devido a causas comuns são virtualmente inevitáveis e para indicar quando uma intervenção é essencial. Além disso, torna o processo previsível, permitindo inclusive prever a fração de itens não conformes gerados pelo processo. Obviamente existem muitas outras aplicações para a estatística no planejamento, controle e melhoria da qualidade e processos.
Uma vez que se reconheça que o conhecimento básico e de aplicações de estatística por parte dos novos profissionais da qualidade, é imperativo que as empresas venham suprir essa competência necessária, através de fornecimento de treinamento de estatística básica e de ferramentas estatísticas.
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